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Nova versão para Romeu e Julieta

Revirando as gavetas... Olha o que achei.

Nota: Essa história é uma fan-fiction reunido personagens referentes a uma das obras de William Shakespeare, assim como um "crossover" com minha própria história sobre seres sobrenaturais.



Nova versão para Romeu e Julieta

Comentário sobre o escritor e sua obra:

"Romeu e Julieta" é uma obra de Willian Shakespeare, escritor teatral inglês do século XVI, que fala do amor impossível de dois jovens e seus atos extremos em seu nome. Para quem não conhece a história, infelizmente, não tenho como falar sobre ela sem contar seu final, já que basicamente é ele o ponto chave de toda trama dessa história.

Os jovens Romeu e Julieta se apaixonaram à primeira vista, mas logo descobrem que seu amor está condenado, pois o maior obstáculo para os dois ficarem juntos, eram suas famílias. Sendo filhos de duas famílias rivais, já tinham futuros previamente traçados por seus pais, que nunca aprovariam aquela união. A trama que leva a um trágico e lamentável final, a morte prematura do jovem casal, é repleta de duelos e mortes dramáticas e até hoje, aproximadamente 400 anos depois de ser escrita, ainda emociona até o mais forte dos homens. Sendo "Romeu e Julieta" uma das histórias mais adaptada e encenada do teatro, sem contar as inúmeras adaptações para a TV e o cinema.

Detalhes sobre a obra:
http://en.wikipedia.org/wiki/Romeo_and_Juliet
http://pt.wikipedia.org/wiki/Romeu_e_Julieta



Segredo da Escuridão
A história de Romeu e Julieta que Shakespeare não ousaria contar - por E.H.Mattos
Transcrita por Kane Ryu


Rio de Janeiro - Época atual

Um jovem casal ria de forma exaltada, enquanto liam um livro, sentados em uma mesa de um espaço de leitura de uma grande feira de livro no Rio de Janeiro.
Um adolescente que estava numa mesa próxima, tomando um café, após uma farta compra nas várias livrarias espalhadas pela feira, não consegue evitar de prestar atenção na conversa do casal. Não havia ninguém no momento por ali além dele e o casal, a maioria das pessoas estavam andando, sem a mínima pressa, pelos diversos stands espalhados pelo lugar.
_ Ainda não sei o motivo que levou Will a escrever essa história. Por que não a contou exatamente como aconteceu? _ diz o rapaz enquanto folheia o livro em suas mãos.
_ Por que a graça da história seria o trágico final? _ indaga a garota divertida, abraçando o rapaz carinhosamente, enquanto ele mantinha uma expressão frustrada ao continuar folheando o livro.
O adolescente sentado na mesa próxima do jovem casal, não resiste e estica o pescoço em direção aos dois jovens, disfarçadamente, para tentar ver de qual livro eles falavam.
_ Romeu e Julieta?! _ exclama o adolescente em voz baixa, um tanto surpreso.


Londres - 1592

_ Jovem amigo, o que tanto o aflige? Seria uma certa dama, a qual anda passando muito tempo em sua companhia?
_ Não, bom amigo Will, desse mal eu estou curado, mas só para ser atormentado por um ainda pior. O amor puro e avassalador.
Os dois amigos conversavam sentados no cenário do palco de um teatro londrino, o qual estava completamente vazio. Já era tarde da noite e após a bem sucedida apresentação daquela noite, William resolveu tentar ajudar o amigo com seu atual infortúnio.
_ Conte-me e tente assim aliviar um pouco seu jovem, mas já calejado coração.
_ A paixão por Rose não me fez sofrer tanto, como sofro agora, amigo Will.
_ Jovem Romeo, não acha que é um tanto extremistas nas coisas do coração? Se continuar deixando tais sentimentos consumi-lo dessa maneira, vai acabar não conseguindo completar outro ano de vida.
_ Senhor Shakespeare? _ chama pelo escritor uma jovem dama, assim que entra no teatro.
_ Espere um momento, amigo Romeo. Não se vá antes que eu volte. Preciso atender tão graciosa dama, mas logo continuaremos nossa conversa.
William se afasta de Romeo e vai até a jovem dama, toda vestida de cor de rosa, a qual possuía longos e encaracolados cabelos loiros. A dama aguardava próxima a porta, que dava para os bastidores do teatro.
_ Não acha imprudente que uma jovem como a senhorita, ande por ai desacompanhada e a essa hora? _ diz William cumprimentando-a com um sutil beijo nas costas da mão.
_ Caro William, sou rica o suficiente para não me importar com o que os outros falam. _ diz a jovem dama com um leve sotaque estrangeiro.
_ Ainda assim, não é bom para sua reputação. Especialmente quando resolve vir a um teatro fechado, onde há apenas homens, devo ressaltar.
_ Fico encantada com sua preocupação, mas acho que devia guarda-la para seu amigo. O que ele tem? _ pergunta a dama, com uma expressão mais de curiosidade que de preocupação _ Eu o vi, um pouco mais cedo, tão abalado. Como sabia que era seu amigo, resolvi vir avisá-lo. Porém vejo que ele já veio em busca de um ombro amigo. Ainda assim, eu poderia ajudá-lo em alguma coisa, caro William?
_ Gentil e preocupada dama, tão caridoso eis tu, mas infelizmente nem a senhorita, ou eu podemos ajudá-lo. Ele sofre do mal mais antigo e assolador da Terra.
Ela sorri e sussurra, sem querer:
_ Não me lembro de ter feito nenhum mal a ele antes.
William demonstra ter escutado o comentário, mas faz uma cara de quem não entendeu direito, ou de quem não queria acreditar no que tinha acabado de ouvir.
_ A mulher. _ retruca a jovem _ Não somos nós, as mulheres, que somos culpadas de ter cometido o grande mal do início dos tempos, o pecado original. Não é assim que nos ensina o bom livro?
_ Nunca tinha pensado nisso antes. Bom, então devo me retratar. Diria que Romeu sofre do segundo mal mais antigo do mundo, o amor.
_ Ah, sim, o amor. Devia ter percebido isso antes.
_ Como poderia? Duvido que jovem tão virtuoso entenda o que é a dor do amor.
_ Posso parecer jovem, caro William, mas provavelmente minha idade o surpreenderia. _ diz ela sorrindo de forma sedutora _ Talvez eu pudesse conversar com o seu amigo, quem sabe o ajudaria a amenizar sua dor.
_ Eu não sei.
_ Talvez ele precise conversar com alguém mais sensível. Acho que irá me entender, caro William, é um homem e por mais sensível que consiga ser, é insensível por natureza.
_ Deveria sentir-me ofendido, mas suas palavras fazem sentido. Vá até ele, gentil dama, tente ajudá-lo se é isso que deseja.
William se afasta e segue para os bastidores do teatro, enquanto a jovem dama aproxima-se de Romeo, o qual está alheio a tudo e todos a sua volta.
_ Nenhuma mulher, ao meu ver, merece tanto. _ dia a jovem dama, assim que fica bem próxima de Romeo.
_ Já sentiu a amarga flecha do cupido atingir seu coração? _ pergunta Romeo, olhando na direção da dama _ Acho que não, gentil dama.
_ Sim, eu sei o que está sentindo. Só gostaria de saber o motivo de seu tormento... Porque não corre atrás de seu amor? Só se ela não o ama, assim como a ama.
_ Não, ela me ama. Oh, sim, como me ama minha amada Juliet. Tanto quanto eu a amo.
_ Então o que o impede?
_ Nossas famílias nunca aceitariam nossa união. Inimigas a anos, nunca permitiriam que seus únicos herdeiros se unissem.
_ Talvez a união de vocês dois traga a paz entre suas casas.
_ Não é dessas terras, não é, gentil dama?
_ Não, não sou. _ responde sorrindo _ Vim das terras onde o sacro-império romano nasceu e onde o povo é apaixonado por natureza.
_ Pois então não sabe que aqui, nossas vidas já são traçadas desde cedo e o que nossos pais não desejam, não pode ser realizado.
_ O que se consegue imaginar, se pode tornar real. Só precisa querer muito.
Romeo não pode deixar de reparar no quanto bela é a jovem diante dele. Ela tem a pele tão branca como a mais pura porcelana, os cabelos dourados são como ouro e possuía feições pequenas e delicadas, como o mais delicado bibelô. Não possuía nenhuma marca em seu rosto que pudesse acusa uma idade avançada, apesar das roupas e maquiagem serem as mesmas, que uma senhora vivida costumaria usar. Porém o tom rosa em seu traje e certos recalques visíveis, não permitia imaginá-la como uma cortesã. Mesmo que Romeo soubesse que uma senhora distinta, não estaria naquele teatro sozinha, à noite e muito menos conversando com um homem, que não fosse seu marido ou pai.
No entanto, o que mais fascinava nela, eram seu olhos azuis, tão claros e brilhantes que até pareciam ter luz própria. E a luz que aqueles olhos possuíam, atraía Romeo inconscientemente.
_ Por que tanto interesse em minha dor? O que sabe sobre a dor? _ pergunta Romeo, olhando-a nos olhos impossibilitado de desviar o próprio olhar _ Mesmo debaixo de tanta pintura, posso ver sua juventude oculta por detrás da máscara. Provavelmente tem a mesma idade de minha amada e não deve conhecer muito da vida, pois mal desabrocho para ela.
_ Fala como um velho ancião a espera da morte, sem nenhuma esperança na vida.
_ Sem minha amada, não tenho motivos para viver.
_ Então lute por ela. Não pode deixar a desesperança te consumir. É jovem e ainda tem o tempo a seu favor. Lute por seu amor.
Curiosamente as palavras da jovem dama, soam de forma encorajadora para Romeo e arranca um sorriso esperançoso de seus lábios, fazendo-o deixar o teatro confiante.
_ O que falou para o meu amigo, que o fez sair saltitante de tanta satisfação? _ pergunta William voltando dos bastidores.
A jovem dama sorri para William, mas não faz comentários.

* * *

_ Enlouqueceu, amigo Romeo? Escalando os muros de seu inimigo, para chegar ao quarto da filha donzela, só acabará por decretar sua sentença de morte. Pretende ser morto, é isso quer? _ pergunta William bastante preocupado _ Pois é isso que ocorrerá se voltar lá, meu amigo.
_ Vamos nos casar. _ diz Romeo com um sorriso de pura felicidade, ignorando tudo que William tinha acabado de dizer. _ Já resolvi tudo com o padre. Casaremos as escondidas, é verdade, mas na hora oportuna o mundo saberá de nossa união.
William analisa o que Romeo acabava de dizer e então comenta:
_ Estou com um mau pressentimento sobre essa história.
_ Bobagem! Não fique preocupado, amigo Will, não estamos fazendo nada de errado. Eu tenho certeza que nossa união será feliz e eterna.

* * *

_ O que fez com meu amigo? Amaldiçoada seja! _ diz William aos berros, entrando exaltado e sem um prévio convite na casa da estrangeira dama, com aparecência de uma boneca de porcelana _ Ele está desgraçado e vai acabar morto. Pior que sua jovem esposa o acompanhará nessa loucura até o Inferno, estou certo disso. Que tão maligno feitiço jogou em meu jovem e inocente amigo, sua bruxa perversa?
_ Com ousa entrar em minha casa assim? _ pergunta a jovem dama, sem demonstrar a mínima exaltação.
_ Você é a única que pode convencê-lo de desistir de toda essa loucura. Duas pessoas já morreram, desde que Romeo saiu sorridente naquela noite do teatro, depois de conversar com senhorita.
William, que a segura pelo braço de forma rude, observa analiticamente a jovem dama, ainda mais misteriosa sem a maquiagem pesada e os vestido de senhora, que costuma usar. Ela exibe sua verdadeira face, um rosto de menina-moça, mas com um olhar de anciã. Por nenhum momento a jovem demonstrou estar incomodada, ou mesmo assustada, com a brutalidade que o escritor usava contra ela, pelo contrário, parecia indiferente. Porém em certos momentos, um certo brilho de excitação nos olhos dela, ficava visível, como se estivesse se deliciando com toda a lamentável situação. O que só piorava o estado de espírito de William, que pretendia persuadi-la a falar com Romeo, ameaçando-a com força bruta.
_ Parece um tanto feliz com todo esse caos... _ diz William, soltando o braço dela um tanto frustrado.
_ Tenho interesse pessoal no caos. _ ela responde sorrindo de forma quase diabólica _ Sabe que Romeo não vai desistir, não agora, já foi muito longe. _ ela faz uma breve pausa para analisar o semblante de William _ E isso está te atormentando, não é?
_ Quem, diabos, é você? _ diz William olhando-a nos olhos, quase hipnotizado pelo brilho intenso vindo deles.
_ Sou alguém que já viveu mais do que você pode imaginar, que já teve vários nomes e que por algum motivo desconhecido está tocada por seu tormento. _ diz aproximando-se cuidadosamente _ Vou interferir, como deseja, mas depois não venha se arrepender do pedido que me fez.
_ Se prometer que Romeo e sua Juliet vão viver... Apenas os salve, eu imploro. Porém se eles morrerem, eu juro que a matarei com as minhas próprias mãos.
_ Muitos homens já pronunciaram tais palavras, sem nunca obterem sucesso. Porém ainda estou disposta a ajudar, mesmo depois de tanta grosseria. _ diz, fazendo uma breve pausa e sorrindo sutilmente para William _ Conheci Juliet e a podrezinha não merece todo o sofrimento, pelo qual está passando... Graças aquele pai carrasco que tem. E se alguém tem que morrer nessa história com certeza não é ela.

* * *

Juliet estava chorando em seu quarto a horas, pois seu pai havia comunicado-lhe que, mesmo com o repentino falecimento de seu primo, ela ainda se casaria com o jovem ao qual estava comprometida. A morte de seu primo, só fez com que o pai de Juliet antecipasse o casamento, com puro interesse financeiro. O casamento de Juliet era apenas um acordo lucrativo para seu pai, o qual não se importava se era contra a vontade de sua filha. Afinal a tradição de sua família valia muito e para o pai do rapaz que iria desposar Juliet, era uma honra que valia qualquer preço, por mais alto que fosse a oferta feita pelo pai de Juliet.
_ Oh, pobre eu sou! _ exclama Juliet, enquanto olhava fixamente para um pequeno vidro em sua cabeceira.
Havia uma pequena quantidade de veneno no vidro, porém sendo esse extremamente fatal, era o suficiente para matar duas pessoas provavelmente. Ela estava decidida a morrer, pois preferia a morte que se casar com o tal nobre. Principalmente depois de ter conhecido o amor, nos braços de seu jovem marido Romeo.
Juliet estava desesperada, não sabia como resolver a situação e com Romeo longe de Londres, acusado de matar seu primo. Só a morte a salvaria de entrar na igreja naquela semana, para se casar com seu prometido.
Quando Juliet pega o frasco com o veneno, decidida a beber até a última gota, escuta uma suave voz feminina de sotaque estrangeiro dizer:
_ Bobagem se matar, principalmente quando o que ele tem a fazer é arrumar outro herdeiro. Vai dar esse gostinho ao seu pai?
_ Como entrou aqui? Quem é você?
_ Duas perguntas sem importância. O que é importante saber, é que posso te dar uma vida nova e a companhia de seu Romeo.
_ Como poderia fazer isso?
_ Isso também não é importante. O que importa é... Quer realmente ficar com seu Romeo? Não importando o preço que pague por ele.
Juliet encara a jovem de sotaque estrangeiro por um breve instante, analisando o rosto branco feito porcelana, os cabelos dourados caídos pelos ombros e o vestido rosa, quase totalmente oculto pela longa capa negra, que ela usava por cima dele. Então Juliet responde que pagaria qualquer coisa, para viver para sempre com seu amado.
_ Farei que todos pensem que você está morta, realmente, morta. Então quando acordar de seu sono de morte, poderá ficar para sempre com seu Romeo. Só que vai ter que confiar em minhas palavras, sem questionar meus atos.
_ Eu confio.
_ Então feche os olhos.
Juliet fecha os olhos e assim que o faz, a jovem dama deixa à vista seus pequenos, mas aguçados caninos. Tratava-se de uma vampira.
Rapidamente a vampira avança na direção de Juliet, cravando seus dentes na jugular da garota. Sem ter tempo sequer de pensar no que está acontecendo, Juliet sucumbi ao torpor da morte em instantes.

* * *

Romeo estava escondido fora da cidade, pois se voltasse a Londres, no momento, acabaria sendo preso pela morte do primo de Juliet. Mesmo que tudo tenha ocorrido em legítima defesa, pois Romeo tentava apenas defender um amigo, o qual acabou também morto na confusão, pelo primo de Juliet que era conhecido pelo gênio terrível que tinha. O fato era que sendo a família de Romeo, não tão influente quanto a de Juliet, ele com certeza não teria chance de defesa perante a justiça.
William chega no esconderijo de Romeo, infelizmente levando terríveis notícias. Ele conta ao amigo primeiro sobre o casamento arranjado de Juliet, para só depois falar que a jovem tinha tirado a própria vida, pois tamanho era seu desespero diante de tão terrível destino. Ele também informa que ela não tinha sido enterrada em solo sagrado, por ter cometido um dos atos mais condenados pela igreja, o suicídio, e que seus pais tinham levado o corpo para ser enterrado, em uma propriedade que possuíam fora de Londres.
A propriedade não ficava muito longe de onde Romeo estava escondido e William havia aproveitado a viagem até o lugar, para dar suas condolências a família de Juliet, antes de ir até o amigo. Assim teria uma boa desculpa para a inesperada viagem, que fez para alertar Romeo sobre tamanha tragédia, antes que o pobre rapaz soubesse pela boca de desconhecidos. E com tal desculpa, William também evitava que o paradeiro do amigo fosse revelado.
Romeo aparentemente recebe bem a notícia, claro que a dor que sentia era visível em seus olhos, úmidos de tristeza pela perda de sua amada e jovem esposa, mas ainda assim ele agüenta firme. Só quando William deixa o lugar para voltar a Londres, que Romeo demonstra todo seu desespero. O jovem quebra tudo que tinha dentro da humilde casa de camponês, onde estava vivendo atualmente. Nada é poupado. Então ele deixa a casa à cavalo, em direção a propriedade da família de sua esposa.
No final da tarde Romeo chega a propriedade e entra as escondidas no lugar. Os pais de Juliet e toda a família ainda se encontravam na casa principal, mas isso não intimida Romeo, que estava determinado a encontrar o túmulo de Juliet e não deixaria o lugar enquanto não o achasse.
Já era no meio da noite, quando ele finalmente descobriu o lugar onde Juliet havia sido sepultada. Romeo se aproxima temeroso, mas ainda esperançoso. Porém a luz da lua cheia confirma qualquer dúvida e coloca um fim a sua última esperança. Era o que temia, lá estava o nome de sua amada, entalhado na grande lápide de pedra do recente sepulcro.
Só que ao se aproximar mais da sepultura, Romeo percebeu que o solo onde o corpo de sua amada deveria estar repousando, havia sido remexido de alguma forma, pois a profanação era bem evidente. Sem entender o que poderia ter acontecido, ele se ajoelha diante da cova, incrédulo do que via.
_ Quem faria tamanha barbaridade?! _ indaga Romeo em voz alta _ Porque alguém profanaria a sepultura de minha amada esposa? Com que intenção cometeria tamanho desrespeito?
_ Precisava sair.
Romeo se assusta ao escuta a voz de Juliet e quase cai dentro da cova. E quando finalmente olha para a pessoa que havia chegado sorrateiramente, se assusta ao ver que era Juliet.
_ Como? Você está viva?
_ Sim, graças a uma nova amiga. _ diz Juliet sorrindo docemente.
Romeo está sentado no chão úmido, observando Juliet, visivelmente confuso. Juliet usava uma mortalha, a qual estava suja de terra e também de algo que, mesmo só com a luz suave da lua, dava para ver que tinha a cor densa do sangue.
_ Não me olhe assim, amado marido, sou eu mesma, sua Juliet. _ ela percebe que Romeo olhava assustado, para as manchas de sangue em sua mortalha. _ Isso? Sim, é sangue.
_ Seu?
_ Não.
_ Então é sangue de quem? _ ele pergunta olhando nos olhos de Juliet, chocado.
Ela continua sorrindo daquela forma doce, como sempre fazia, quando queria obter dele alguma compreensão por seus atos infantis. Só que dessa vez Romeo percebeu algo mais, pois não havia a inocência em seu olhos, mas algo que ele nunca tinha visto antes. Um brilho sinistro que o fez pensar em uma certa dama estrangeira.
Um calafrio percorreu todo o corpo de Romeo, fazendo-o estremecer, como que avisando que havia perigo no ar.
_ Agora eu vou começar uma nova vida e você também, meu amado marido. E por isso, eu decidi acabar com tudo que me ligasse a minha velha vida.
_ Do que está falando... _ subitamente a lembrança da família de Juliet, presente na casa principal da propriedade, veio a mente de Romeo e ele olha novamente para a mortalha ensangüentada de sua esposa, lembrando que o sangue ali não é de Juliet _ Sua família?! Você não...
_ E por que não? Acha que depois de sofrer tanto, porque eles achavam que eu era um dos preciosos bens, o qual como todos os outros podia ser negociado; eu os deixaria pura e simplesmente continuar a vida. Meu pai só precisava esperar por outro herdeiro e tudo ficaria bem. Talvez um varão, como ele sempre quis, só que sua essência maligna termina aqui. Essa família não merece continuar existindo. Todos eram cordeiros diante das ordens de meu pai e eu fui o cordeiro que deveria ser sacrificado, para a comodidade de todos.
Romeo continuava a olhá-la, chocado com cada palavra que Juliet dizia. Não era sua doce Juliet que falava aquelas barbaridades, não podia ser.
Juliet percebe o tormento na mente de seu amado, mas prefere ignorar.
_ Vamos, meu amado, pense. Podemos viver juntos agora e para sempre. Acabou as brigas e é isso que importa. Nossas famílias que faziam questão dessa rixa maldita, nós nunca fomos consultados. Nunca pedimos por ela.
_ Eu não sei o que dizer, Juliet. _ diz Romeo afinal.
_ Amado, apenas diga que me ama, pois se ainda me quer, não pense em mais nada e fica comigo.
Ele olha para sua esposa, com uma expressão de sincera devoção e pensa no quanto a amava.
Sim, ele a amava mais que tudo e era a única coisa que tinha certeza naquele momento. Porém ainda sem saber o que fazer diante de tal situação, Romeo, como se para evitar uma resposta imediata, resolve se levantar do chão. Juliet estende a mão e o ajuda a levantar sem maior esforço.
_ Você está tão... Forte? _ diz ele surpreso.
_ Muito mais que isso, nunca me senti tão viva em toda minha vida. Sinto tudo e todos a minha volta, como se fizessem parte do meu ser. Sinto você... _ diz Juliet aproximando-se de Romeo _ Sinto seu coração batendo dentro do seu peito, o sangue correndo por suas veias... _ ela para de falar subitamente e agarra Romeo, beijando-o apaixonadamente como nunca havia feito antes, pois foi ensinada que moças de família não podia fazer tal coisa.
Romeo se assusta com a atitude dela, mas não consegue afasta-la. A amava muito e mesmo que ele estivesse assustado e certo que algo muito estranho tinha acontecido com ela, ainda era sua Juliet. Ainda era aquela jovem pela qual se apaixonou e com a qual tinha se casado... E era só isso que importava.
_ Fica comigo. _ pede Juliet, entre um beijo e outro.
Ele para de beijá-la por um momento e diz, olhando-a nos olhos:
_ Só se for para sempre.
Juliet sorri deixando bem visível seus agora pontiagudos, mas pequeninos caninos, os quais só eram visíveis se sorrisse de forma exagerada. Ele deveria se assustar com aquilo, tinha certeza, mas não teve medo. Como se tivesse previsto tudo. Depois de um longo beijo apaixonado, Juliet percorre o contorno do rosto de Romeo com seus lábios, descendo até repousá-los sobre a jugula de seu marido. Ele sente seu corpo estremecer novamente, com o mesmo tipo de calafrio que sentiu antes. Outro aviso que o caminho era perigoso e também sem volta. Só que Romeo não liga, só sabia de uma coisa, só possuía uma única certeza: Juliet. Não importava como ou o que faria para tê-la ao seu lado. Então ele sente a língua dela sobre a sensível pele de seu pescoço por um breve momento, para logo sentir a ponta afiada dos dentes de sua esposa, penetrar lentamente em seu pescoço, fazendo Romeo gemer tão baixo que mal se pode escutar.
No entanto, ao longe, a jovem dama observa o casal apaixonado e parecia ciente de tudo que acontecia. Ela é iluminada pela luz do luar de forma que sua pele, extremamente branca, tem um tom quase fluorescente e no seu rosto podia-se ver, um sorriso de pura satisfação, que ressalta seus caninos ligeiramente pontiagudos.

* * *


Rio de Janeiro - Época atual

O adolescente escuta os comentários sobre a dita “história verdadeira de Romeu e Julieta”, visivelmente aterrorizado e já ia deixando sua mesa, quando escuta o rapaz falar:
_ Sabe o mais divertido de toda a história? A cara do Will quando nos viu na semana seguinte, ele quase pirou. E quando eu contei tudo que aconteceu, durante uma tensa conversa na taverna, onde sempre bebíamos até altas horas... Ele bebeu tanto para manter a calma, que no fim só acreditou no que eu dizia, quando resolvi mordê-lo.
_ Você chegou a morder mesmo mister Shakespeare? Eu não acredito! Não me disse isso. _ diz a garota dando um leve tapa nos ombro do rapaz _ Por que não o tornou um de nós? Ele era um talentoso gênio do teatro, merecia a imortalidade... Até mais que nós dois. Imagine quantas outras obras fantásticas, ele podia ter escrito nos últimos séculos.
_ Ele teve a imortalidade, minha amada, de outra forma, mas teve. Além disso, sua genialidade vinha de sua mortalidade. Tornando-o imortal, eu mataria o gênio.
_ Não compreendo?
_ Amada, a essência do artista está na sua mortalidade, no seu curto tempo de vida... Dê a imortalidade ao corpo e matará o gênio contido em sua alma imortal.
_ Foi por isso que nunca mais colocou os pés num palco outra vez, amado marido?
_ Mas ou menos. Na verdade acho que eu via o teatro, como uma forma de afrontar meu pai e com sua morte, a motivação se foi com ele.
A garota olha na direção do adolescente na mesa ao lado, enquanto falava com seu jovem marido. E quando o adolescente se levantou amedrontado, a jovem sorriu divertida, mas sem deixar seus dentes visíveis.
_ Acho melhor continuarmos nossa conversa nostálgica em outro lugar, Romeo, um lugar mais privado. _ diz ela levantando também, fazendo que o marido levantasse junto, mesmo que um pouco contrariado.
_ Por quê? Isso é uma feira de livros, não é? E estamos falando de um, Juliet. _ diz Romeo ao perceber o que estava acontecendo, divertindo-se com a situação também.
_ Também estou ficando com fome, essa história toda abriu meu apetite.
_ O que acha de procurarmos uma comida típica desse país?
O adolescente sai correndo, sem olhar para trás, deixando uma bolsa cheia de livros que tinha comprado pela feira.
Juliet se aproxima da mesa, onde estava a bolsa de livros deixada pelo adolescente e depois de olhar dentro, diz:
_ Agora está explicado!
_ O que? _ indaga Romeo curioso.
Ela pega um dos livros na bolsa e mostra para Romeo.
_ Acho que alguém andou lendo muito livro de ficção vampiresca, amor. _ diz ela sorrindo, agora deixando à vista seus pequenos e pontiagudos caninos.
_ Drácula! Sempre Drácula. _ diz Romeo meio irritado _ Nunca vou perdoar Will por não ter contado a história verdadeira.
_ Caso Will tivesse escrito a verdadeira história, talvez não tivesse vivido muito para contá-la... Nem nós tão pouco.
_ Somos imortais, minha amada.
_ Creio que isso não quer dizer muito, quando se tem que viver a imortalidade em pedaços. Costumavam esquartejar os supostos vampiros, esqueceu?
_ Por isso que eu adoro esse novo tempo. Todos tão materialistas e incrédulos, que podemos caminha entre as pessoas sem maiores problemas...

1997-2001

K.R.





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Comments

( 1 comment — Leave a comment )
(Anonymous)
Mar. 15th, 2010 11:24 pm (UTC)
Tudo de bom!
Nunca vi um conto tão bem escrito!! Amei muito!!

Vivianne Fair
( 1 comment — Leave a comment )

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